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2532007 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
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Discutir o aborto por amor à vida
Leonardo Boff
Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto. Ele implica eliminar uma vida ou interferir num processo vital que culmina com a emergência da vida humana. Eu pessoalmente sou contra o aborto, pois amo a vida em cada uma de suas fases e em todas as suas formas.
Mas esta afirmação não me torna cego para uma realidade macabra que não pode ser ignorada e que desafia o bom-senso e os poderes públicos. Por ano fazem-se no Brasil cerca de 800 mil abortos clandestinos. A cada dois dias morre uma mulher vítima de um aborto clandestino mal assistido.
Essa realidade deve ser enfrentada não com a polícia, mas com uma saúde pública responsável e com senso de realismo. Considero farisaica a atitude daqueles que de forma intransigente defendem a vida embrionária e não adotam a mesma atitude face aos milhares de crianças nascidas e lançadas na miséria, sem comida e sem carinho, perambulando pelas ruas de nossas cidades. A vida deve ser amada em todas as suas formas e idades e não apenas em seu primeiro alvorecer no seio da mãe. Cabe ao Estado e a toda a sociedade criar as condições para que as mães não precisem abortar.
Eu mesmo assisti, nos degraus da catedral de Fortaleza, a uma mãe famélica, pedindo esmola e amamentando o filho com o sangue de seu próprio seio. Era a figura do pelicano. Perplexo e tomado de compaixão, levei-a até a casa do cardeal dom Aloísio Lorscheider, e ali lhe demos toda a assistência possível.
Mesmo assim, ocorrem abortos, sempre dolorosos e que afetam profundamente a psique da mãe. Narro o que escreveu um eminente psicanalista da escola junguiana de São Paulo, Léon Bonaventure, na introdução que fez a um livro desafiador e instigante e não livre de questionamento: Aborto: perda e renovação: Um paradoxo na busca da identidade feminina (Paulus, 2006), de Eva Pattis, uma psicanalista infantil de origem suíça, reconhecida em seu meio.
Conta Léon Bonaventure, com sutileza de um fino psicanalista para quem a espiritualidade constitui uma fonte de integração e de cura de feridas da alma. Uma senhora procurou um sacerdote e lhe confessou que havia outrora praticado um aborto. Depois de ouvir sua confissão, o sacerdote, com profundo senso humano, lhe perguntou: “Que nome deu ao seu filho”? A mulher, perplexa, ficou calada por longo tempo.
Então, disse o sacerdote: ”Vamos dar-lhe um nome. E se a senhora concordar vamos também batizá-lo”. A senhora anuiu com a cabeça. E simbolicamene assim o fizeram. Depois o sacerdote falou do mistério da vida humana. Disse: “Há vidas que vêm a esta Terra por 10, 50 e até 100 anos; outras jamais verão a luz do sol. No calendário litúrgico da Igreja há a festa dos Santos Inocentes, no dia 28 de dezembro, aqueles que Herodes mandou matar no momento em que a Divina Criança veio ao mundo. Que esse dia seja também o dia de aniversário de seu filho”.
“Na tradição cristã” — continuou o sacerdote — “os filhos eram sempre vistos como um presente de Deus e uma bênção para a vida. No passado nossos pais iam à Igreja oferecer seus filhos a Deus. Nunca é tarde para você também oferecer seu filho a Deus”.
O sacerdote terminou sua fala com as seguintes palavras consoladoras: ”Como ser humano não posso julgá-la. Mas se você pecou contra a vida, o Deus da vida pode reconciliá-la com a vida e com Ele. Vá em paz e viva”.
O Papa Francisco sempre recomenda misericórdia, compreensão e ternura na relação dos sacerdotes para com os fiéis. Esse sacerdote viveu avant la lettre esses valores profundamente humanos e que pertencem à prática do Jesus histórico. Que eles possam inspirar a outros sacerdotes a terem a mesma humanidade.
Site de origem: Discutir o aborto por amor à vida, por Leonardo
Boff (Jornal do Brasil). IN:http://agenciapatriciagalvao.org.br/direitos-sexuais-e-reprodutivos/discutir-o-aborto-por amor-vida-por-leonardo-boff/
O enunciador, na construção do texto,
 

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2531999 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
Quanto custa um pôr-de-sol?
Leonardo Boff
Um grande empresário americano, estando em Roma, quis mostrar 1 ao filho a beleza de um pôr2 de-sol nas colinas de Castelgandolfo. Antes de se postarem num bom ângulo, o filho perguntou ao pai: "pai, onde se paga?" Esta pergunta revela a estrutura da sociedade dominante, assentada sobre a economia e o mercado. Nela para tudo se paga - também um pôr-de-sol - tudo se vende e tudo se compra.
Ela operou, segundo notou ainda em 1944 o economista norte-americano Polanyi, a grande transformação ao conferir valor econômico a tudo. As relações humanas se transformaram em transações comerciais e tudo, tudo mesmo, do sexo à Santíssima Trindade, vira mercadoria e chance de lucro.
Se quisermos qualificá-la, diríamos que esta é uma sociedade produtivista, consumista e materialista. É produtivista porque explora todos os recursos e serviços naturais visando o lucro e não a preservação da natureza. É consumista porque se não houver consumo cada vez maior não há também produção nem lucro. É materialista, pois sua centralidade é produzir e consumir coisas materiais e não espirituais como a cooperação e o cuidado. Está mais interessada no crescimento quantitativo – comoganhar mais – do que no desenvolvimento qualitativo – como viver melhor com menos – em harmonia com a natureza, com equidade social e sustentabilidade sócio-ecológica.
Cabe insistir no óbvio: não há dinheiro que pague um pôr-de-sol. Não se compra na bolsa a lua cheia “que sabe de mi largo caminar.” A felicidade, a amizade, a lealdade e o amor não estão à venda nos shoppings. Quem pode viver sem esses intangíveis? Aqui não funciona a lógica do interesse, mas da gratuidade, não a utilidade prática, mas o valor intrínseco da natureza, da ridente paisagem, do carinho entre dois enamorados. Nisso reside a felicidade humana.
O insuspeito Daniel Soros, o grande especulador das bolsas mundiais, confessa em seu livro A crise do capitalismo (1999): ”uma sociedade baseada em transações solapa os valores sociais; estes expressam um interesse pelos outros; pressupõem que o indivíduo pertence a uma comunidade, seja uma família, uma tribo, uma nação ou a humanidade, cujos interesses têm preferência em relação aos interesses individuais. Mas uma economia de mercado é tudo menos uma comunidade. Todos devem cuidar dos seus próprios interesses... e maximizar seus lucros, com exclusão de qualquer outra consideração” (p. 120 e 87).
Uma sociedade que decide organizar-se sem uma ética mínima, altruísta e respeitosa da natureza, está traçando o caminho de sua própria autodestruição. Então, não causa admiração o fato de termos chegado aonde chegamos, ao aquecimento global e à aterradora devastação da natureza, com ameaças de extinção de vastas porções da biosfera e, no termo, até da espécie humana.
Suspeito que, se não quebrarmos o paradigma produtivista/consumista/materialista, poderemos encontrar pela frente a escuridão. Devemos tentar ser, pelo menos um pouco, como a rosa, cantada pelo místico poeta Angelus Silesius (+1677): “a rosa é sem porquê: floresce por florescer, não cuida de si mesma nem pede para ser olhada” (aforismo 289). Essa gratuidade é uma das pilastras do novo paradigma.
LÍNGUA PORTUGUESA QUESTÕES DE 1 A 10 IN: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/11/blogs/leonardo_boff/
Marque com V os fragmentos que constituem exemplos de intertextualidade e com F, os demais.
( ) " 'Pai, onde se paga?'"
( ) "Cabe insistir no óbvio: não há dinheiro que pague um pôr-de-sol."
( ) " 'que sabe de mi largo caminar.'".
( ) " 'Uma sociedade baseada em transações solapa os valores sociais'"
( ) " 'A rosa é sem porquê: floresce por florescer, não cuida de si mesma, nem pede para ser olhada'"
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
 

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2531990 Ano: 2016
Disciplina: Ética e Regulação Profissional
Banca: IMA
Orgão: CREF-15

No que tange a regulamentação da Profissão de Educação Física, considere:

I. O exercício das atividades de Educação Física e a designação de Profissional de Educação Física é prerrogativa dos profissionais regularmente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física.

II. Serão inscritos nos quadros dos Conselhos Regionais de Educação Física os profissionais possuidores de diploma em Educação Física expedido por instituição de ensino superior estrangeira, desde que requeiram a revalidação do diploma.

III. Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos, bem como prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos, todos nas áreas de atividades físicas e do desporto.

IV. Serão inscritos nos quadros dos Conselhos Regionais de Educação Física os profissionais que, até a data de 1º de novembro de 1999, tenham comprovadamente exercido atividades próprias dos Profissionais de Educação Física, nos termos a serem estabelecidos pelo Conselho Federal de Educação Física.

Está correto o que se afirma apenas em:

 

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2531986 Ano: 2016
Disciplina: Direito Penal
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
No que diz respeito à aplicação da lei penal prevista no Título I do Código Penal, assinale a alternativa INCORRETA:
 

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2531981 Ano: 2016
Disciplina: Ética e Regulação Profissional
Banca: IMA
Orgão: CREF-15

Qual a composição do Conselho Federal de Educação Física?

 

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2531964 Ano: 2016
Disciplina: Administração Geral
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
De acordo com a Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow, é correto afirmar que a necessidade das pessoas de se sentirem dignas, respeitadas por si e pelos outros, com prestígio e reconhecimento, caracteriza o tipo de necessidade:
 

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2531962 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
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Discutir o aborto por amor à vida
Leonardo Boff
Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto. Ele implica eliminar uma vida ou interferir num processo vital que culmina com a emergência da vida humana. Eu pessoalmente sou contra o aborto, pois amo a vida em cada uma de suas fases e em todas as suas formas.
Mas esta afirmação não me torna cego para uma realidade macabra que não pode ser ignorada e que desafia o bom-senso e os poderes públicos. Por ano fazem-se no Brasil cerca de 800 mil abortos clandestinos. A cada dois dias morre uma mulher vítima de um aborto clandestino mal assistido.
Essa realidade deve ser enfrentada não com a polícia, mas com uma saúde pública responsável e com senso de realismo. Considero farisaica a atitude daqueles que de forma intransigente defendem a vida embrionária e não adotam a mesma atitude face aos milhares de crianças nascidas e lançadas na miséria, sem comida e sem carinho, perambulando pelas ruas de nossas cidades. A vida deve ser amada em todas as suas formas e idades e não apenas em seu primeiro alvorecer no seio da mãe. Cabe ao Estado e a toda a sociedade criar as condições para que as mães não precisem abortar.
Eu mesmo assisti, nos degraus da catedral de Fortaleza, a uma mãe famélica, pedindo esmola e amamentando o filho com o sangue de seu próprio seio. Era a figura do pelicano. Perplexo e tomado de compaixão, levei-a até a casa do cardeal dom Aloísio Lorscheider, e ali lhe demos toda a assistência possível.
Mesmo assim, ocorrem abortos, sempre dolorosos e que afetam profundamente a psique da mãe. Narro o que escreveu um eminente psicanalista da escola junguiana de São Paulo, Léon Bonaventure, na introdução que fez a um livro desafiador e instigante e não livre de questionamento: Aborto: perda e renovação: Um paradoxo na busca da identidade feminina (Paulus, 2006), de Eva Pattis, uma psicanalista infantil de origem suíça, reconhecida em seu meio.
Conta Léon Bonaventure, com sutileza de um fino psicanalista para quem a espiritualidade constitui uma fonte de integração e de cura de feridas da alma. Uma senhora procurou um sacerdote e lhe confessou que havia outrora praticado um aborto. Depois de ouvir sua confissão, o sacerdote, com profundo senso humano, lhe perguntou: “Que nome deu ao seu filho”? A mulher, perplexa, ficou calada por longo tempo.
Então, disse o sacerdote: ”Vamos dar-lhe um nome. E se a senhora concordar vamos também batizá-lo”. A senhora anuiu com a cabeça. E simbolicamene assim o fizeram. Depois o sacerdote falou do mistério da vida humana. Disse: “Há vidas que vêm a esta Terra por 10, 50 e até 100 anos; outras jamais verão a luz do sol. No calendário litúrgico da Igreja há a festa dos Santos Inocentes, no dia 28 de dezembro, aqueles que Herodes mandou matar no momento em que a Divina Criança veio ao mundo. Que esse dia seja também o dia de aniversário de seu filho”.
“Na tradição cristã” — continuou o sacerdote — “os filhos eram sempre vistos como um presente de Deus e uma bênção para a vida. No passado nossos pais iam à Igreja oferecer seus filhos a Deus. Nunca é tarde para você também oferecer seu filho a Deus”.
O sacerdote terminou sua fala com as seguintes palavras consoladoras: ”Como ser humano não posso julgá-la. Mas se você pecou contra a vida, o Deus da vida pode reconciliá-la com a vida e com Ele. Vá em paz e viva”.
O Papa Francisco sempre recomenda misericórdia, compreensão e ternura na relação dos sacerdotes para com os fiéis. Esse sacerdote viveu avant la lettre esses valores profundamente humanos e que pertencem à prática do Jesus histórico. Que eles possam inspirar a outros sacerdotes a terem a mesma humanidade.
Site de origem: Discutir o aborto por amor à vida, por Leonardo
Boff (Jornal do Brasil). IN:http://agenciapatriciagalvao.org.br/direitos-sexuais-e-reprodutivos/discutir-o-aborto-por amor-vida-por-leonardo-boff/
No período “Custa-me crer que haja pessoas que defendam o aborto pelo aborto”, pode-se afirmar corretamente:
 

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2529700 Ano: 2016
Disciplina: Arquivologia
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
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“Arquivo é o conjunto de documentos que, independentemente da natureza ou do suporte, são reunidos por acumulação ao longo das atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas”.
Sobre arquivo, analise as afirmações a seguir.
I- Arquivo Corrente ou de Gestão também conhecido como de Primeira Idade ou Ativo são conjuntos de documentos estreitamente vinculados aos objetivos imediatos para os quais foram produzidos e que se conservam junto aos órgãos produtores em razão de sua vigência e frequência de uso.
II- Arquivo Intermediário também conhecido como de Segunda Idade ou Semiativo, são arquivos que aguardam em depósito de armazenamento temporário, sua destinação final. Apresenta pequena frequência de uso pela administração.
III- Arquivo Corrente ou de Gestão também conhecido como de Terceira Idade ou Histórico, são os conjuntos documentais custodiados em caráter definitivo, em função do seu valor. O acesso é público.
São corretas APENAS as afirmações:
 

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2529522 Ano: 2016
Disciplina: Administração Geral
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
Provas:
A gestão da qualidade refere-se a uma estratégia de administração orientada a criar consciência da qualidade em todos os processos organizacionais. A gestão de qualidade compõe-se dos seguintes estágios, EXCETO:
 

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2529398 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: CREF-15
Quanto custa um pôr-de-sol?
Leonardo Boff
Um grande empresário americano, estando em Roma, quis mostrar 1 ao filho a beleza de um pôr2 de-sol nas colinas de Castelgandolfo. Antes de se postarem num bom ângulo, o filho perguntou ao pai: "pai, onde se paga?" Esta pergunta revela a estrutura da sociedade dominante, assentada sobre a economia e o mercado. Nela para tudo se paga - também um pôr-de-sol - tudo se vende e tudo se compra.
Ela operou, segundo notou ainda em 1944 o economista norte-americano Polanyi, a grande transformação ao conferir valor econômico a tudo. As relações humanas se transformaram em transações comerciais e tudo, tudo mesmo, do sexo à Santíssima Trindade, vira mercadoria e chance de lucro.
Se quisermos qualificá-la, diríamos que esta é uma sociedade produtivista, consumista e materialista. É produtivista porque explora todos os recursos e serviços naturais visando o lucro e não a preservação da natureza. É consumista porque se não houver consumo cada vez maior não há também produção nem lucro. É materialista, pois sua centralidade é produzir e consumir coisas materiais e não espirituais como a cooperação e o cuidado. Está mais interessada no crescimento quantitativo – comoganhar mais – do que no desenvolvimento qualitativo – como viver melhor com menos – em harmonia com a natureza, com equidade social e sustentabilidade sócio-ecológica.
Cabe insistir no óbvio: não há dinheiro que pague um pôr-de-sol. Não se compra na bolsa a lua cheia “que sabe de mi largo caminar.” A felicidade, a amizade, a lealdade e o amor não estão à venda nos shoppings. Quem pode viver sem esses intangíveis? Aqui não funciona a lógica do interesse, mas da gratuidade, não a utilidade prática, mas o valor intrínseco da natureza, da ridente paisagem, do carinho entre dois enamorados. Nisso reside a felicidade humana.
O insuspeito Daniel Soros, o grande especulador das bolsas mundiais, confessa em seu livro A crise do capitalismo (1999): ”uma sociedade baseada em transações solapa os valores sociais; estes expressam um interesse pelos outros; pressupõem que o indivíduo pertence a uma comunidade, seja uma família, uma tribo, uma nação ou a humanidade, cujos interesses têm preferência em relação aos interesses individuais. Mas uma economia de mercado é tudo menos uma comunidade. Todos devem cuidar dos seus próprios interesses... e maximizar seus lucros, com exclusão de qualquer outra consideração” (p. 120 e 87).
Uma sociedade que decide organizar-se sem uma ética mínima, altruísta e respeitosa da natureza, está traçando o caminho de sua própria autodestruição. Então, não causa admiração o fato de termos chegado aonde chegamos, ao aquecimento global e à aterradora devastação da natureza, com ameaças de extinção de vastas porções da biosfera e, no termo, até da espécie humana.
Suspeito que, se não quebrarmos o paradigma produtivista/consumista/materialista, poderemos encontrar pela frente a escuridão. Devemos tentar ser, pelo menos um pouco, como a rosa, cantada pelo místico poeta Angelus Silesius (+1677): “a rosa é sem porquê: floresce por florescer, não cuida de si mesma nem pede para ser olhada” (aforismo 289). Essa gratuidade é uma das pilastras do novo paradigma.
LÍNGUA PORTUGUESA QUESTÕES DE 1 A 10 IN: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/11/blogs/leonardo_boff/
Constitui um ponto de vista do autor, expresso no texto:
 

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