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4260621 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Analise a regência do verbo “apropriar” no trecho a seguir, retirado do texto:

“Ele não é algo de que alguém possa se apropriar”.

Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a regência verbal está INCORRETA.
 

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4260620 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Considerando as intertextualidades possíveis entre o cânone literário brasileiro e as literaturas contemporâneas, o texto de Krenak poderia ser trabalhado em uma aula de literatura brasileira sobre ___________________ , uma vez que as tensões entre a cultura ocidental e a cosmovisão indígena são uma temática central dos textos e narrativas desse período literário.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.
 

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4260619 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Em relação à análise sintática do fragmento retirado do texto “O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa”, analise as assertivas abaixo:

I. A oração principal do fragmento é “O rio Doce é uma pessoa”.
II. O fragmento “que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô” é uma oração subordinada adjetiva restritiva.
III. As estruturas “os Krenak” e “nosso avô” são, ambas, apostos explicativos.

Quais estão corretas?
 

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4260618 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Assinale a alternativa em que a estrutura sublinhada NÃO cumpre função sintática de complemento nominal.
 

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4260617 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Considerando as características do texto e a sua finalidade discursiva, qual é a função da linguagem predominante?
 

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4260616 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Do sonho e da terra

Por Ailton Krenak

O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, e não um

recurso, como dizem os economistas. Ele não é algo de que alguém possa se apropriar; é uma

parte da nossa construção como coletivo que habita um lugar específico, onde fomos

gradualmente confinados pelo governo para podermos viver e reproduzir as nossas formas de

organização.

Falar sobre a relação entre o Estado brasileiro e as sociedades indígenas a partir do

exemplo do povo Krenak surgiu como uma inspiração para contar a quem não sabe o que

acontece hoje no Brasil com essas comunidades — estimadas em cerca de 250 povos e

aproximadamente 900 mil pessoas, população menor do que a de grandes cidades brasileiras.

O que está na base da história do nosso país, que continua a ser incapaz de acolher os

seus habitantes originais — sempre recorrendo a práticas desumanas para promover mudanças

em formas de vida que essas populações conseguiram manter por muito tempo, mesmo sob o

ataque feroz das forças de ordem colonial, que até hoje sobrevivem na mentalidade cotidiana de

muitos brasileiros —, é a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de

um projeto de exaustão da natureza.

O Watu, esse rio que sustentou a nossa vida às margens do rio Doce, entre Minas Gerais

e o Espírito Santo, numa extensão de seiscentos quilômetros, está todo coberto por um material

tóxico que desceu de uma barragem de contenção de resíduos, o que nos deixou órfãos e

acompanhando o rio em coma. Faz um ano e meio que esse crime — que não pode ser chamado

de acidente — atingiu as nossas vidas de maneira radical, nos colocando na real condição de um

mundo que acabou.

(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

A partir do trecho retirado do texto “a ideia de que os índios deveriam estar contribuindo para o sucesso de um projeto de exaustão da natureza”, é correto afirmar que o autor:
 

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4260615 Ano: 2026
Disciplina: Espanhol (Língua Espanhola)
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
Analice las siguientes afirmaciones sobre la oferta de lengua española en la educación básica, técnica y tecnológica en Brasil, señalando V, si verdaderas, o F, si falsas.

( ) La enseñanza de ELE fue obligatoria desde el año 2005, cuando se firmó la ley que instituía la obligatoriedad de la enseñanza de ELE en las escuelas públicas de Brasil, hasta el año 2022, cuando dicha ley fue revocada.
( ) Los Institutos Federales de Brasil cuentan con una legislación propia, la cual determina la obligatoriedad de la oferta y enseñanza de ELE.
( ) Los Institutos Federales de Brasil cuentan con currículos de cursos técnicos que proponen un abordaje instrumental de la enseñanza de ELE según las necesidades específicas de dichos cursos.
( ) Hay Institutos Federales de Brasil que ofrecen cursos de nivel superior para la formación de profesores de lengua española.

El orden correcto de relleno de los paréntesis, de arriba a abajo, es:
 

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4260614 Ano: 2026
Disciplina: Espanhol (Língua Espanhola)
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
El desarrollo de la competencia intercultural por parte de los docentes de ELE requiere determinadas condiciones. Sobre el tema, analice las siguientes afirmaciones:

I. Los docentes deben desarrollar su propia competencia intercultural, tanto durante como después de su formación inicial, de tal manera que puedan contribuir posteriormente al desarrollo de esta competencia por parte de sus alumnos.
II. Las decisiones didácticas de los docentes deben ser conscientes y apropiadas para favorecer la inserción de la dimensión intercultural en las clases de lengua extranjera, considerando concepciones de lengua y de enseñanza que contribuyan a la formación de hablantes interculturales.
III. El desarrollo de la competencia intercultural depende principalmente de las decisiones individuales de los docentes, por lo que no es necesario que sus acciones estén respaldadas por las orientaciones de los documentos oficiales para la enseñanza de lenguas extranjeras.

¿Cuáles están correctas?
 

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4260613 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas
Relacione la Columna 1 a la Columna 2 de acuerdo con las características de cada enfoque para la enseñanza de lenguas extranjeras.

Columna 1

1. Enfoque Audiolingual.
2. Enfoque Comunicativo.
3. Enfoque de la Gramática y de la Traducción.
4. Enfoque Directo.

Columna 2

( ) El aprendizaje de la segunda lengua se da por medio de la lengua materna. Prioriza la memorización de listas de palabras y el conocimiento de las reglas gramaticales.
( ) Rechaza el uso de la lengua materna en el aula. La transmisión del significado se realiza mediante gestos o imágenes, y se evita recurrir a la traducción.
( ) Parte de la idea de que la lengua es un conjunto de hábitos y propone que el aprendizaje se base en la formación de dichos hábitos mediante la repetición y la práctica de estructuras lingüísticas.
( ) Se centra en el uso apropiado de la lengua adecuado según la situación comunicativa en la que ocurre el acto de habla, por lo que rechazan los diálogos artificiales. El proceso de aprendizaje se centra en el alumno y el profesor asume el rol de tutor.

El orden correcto de relleno de los paréntesis, de arriba a abajo, es:
 

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4260612 Ano: 2026
Disciplina: Espanhol (Língua Espanhola)
Banca: IF-SUL Minas
Orgão: IF-SUL Minas

Los emigrantes, ahora

Por Eduardo Galeano

Desde siempre, las mariposas y las golondrinas y los flamencos vuelan huyendo del frío,

año tras año, y nadan las ballenas en busca de otra mar y los salmones y las truchas en busca

de sus ríos. Ellos viajan miles de leguas, por los libres caminos del aire y del agua.

No son libres, en cambio, los caminos del éxodo humano. En inmensas caravanas,

marchan los fugitivos de la vida imposible.

Viajan de sur a norte y desde el sol naciente al sol poniente.

Les han robado su lugar en el mundo. Han sido despojados de sus trabajos y sus tierras.

Muchos huyen de las guerras, pero muchos más huyen de los sueldos exterminados y de los

suelos arrasados.

Los náufragos de la globalización peregrinan inventando caminos, queriendo casa,

golpeando puertas: las puertas que se abren, mágicamente, al paso del dinero, se cierran en sus

narices. Algunos consiguen colarse. Otros son cadáveres que la mar entrega a las orillas

prohibidas, o cuerpos sin nombre que yacen bajo tierra en el otro mundo adonde querían llegar.

Sebastiáo Salgado los ha fotografiado, en cuarenta países, durante varios años. De su

largo trabajo, quedan trescientas imágenes. Y las trescientas imágenes de esta inmensa

desventura humana caben, todas, en un segundo. Suma solamente un segundo toda la luz que

ha entrado en la cámara, a lo largo de tantas fotografías: apenas una guiñada en los ojos del

sol, no más que un instantito en la memoria del tiempo.

(Disponible en: Galeano, E. Bocas del Tiempo. Siglo XXI Ediciones: 2004 – texto adaptado especialmente para este examen)

Según la construcción argumentativa del texto, la comparación inicial entre los desplazamientos de los animales y los desplazamientos humanos permite al autor:
 

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