Foram encontradas 30 questões.
"A herança"
Mariana encontrou a carta quando revirava os pertences
da avó, falecida há pouco mais de uma semana. A letra,
ainda que trêmula, era inconfundível. "Minha neta",
começava ela, "sei que você me julgava rígida, talvez
injusta. Não me cabe agora justificar-me; o tempo já o fez
por mim. Mas quero que saiba que tudo o que fiz — cada
palavra dura, cada silêncio imposto — teve em vista teu
bem. Não o entenderás agora, e não peço que o
entendas. Apenas guarda isto: o amor se revela de
muitas formas, e algumas delas são quase impossíveis
de reconhecer quando se é jovem. Perdoa-me, se
puderes. Se não puderes, que esta carta, pelo menos, te
sirva para compreender que também eu fui jovem um dia,
e que também me feriram, e que também aprendi a ferir
por medo de ser ferida. A casa é tua. Os bens são teus.
Mas o que realmente importa está nestas linhas, que
agora te entrego, e que guardaram por tanto tempo o que
minha boca nunca soube dizer."
TELLES, Lygia Fagundes. As horas nuas. São Paulo: Companhia das
Letras, 2010 p. 50
I. Os três "que" são conjunções integrantes, introduzindo objetos diretos oracionais do verbo “compreender”, coordenados entre si.
II. O pronome "me" em "me feriram" exerce função de sujeito, indicando que a avó sofreu a ação de ferir; já em "aprendi a ferir", o pronome está ausente porque o verbo "ferir", nesse contexto, causa ambiguidade, que é exatamente a intenção da autora.
III. A estrutura "por medo de ser ferida" está redigida na voz passiva ("ser ferida"), e o agente da passiva está implícito, indeterminando o responsável pelo ato de ferir.
IV. A repetição anafórica de "que também" cria um efeito de intensificação emocional, coesivo e coerente com a confissão da avó, progressivamente reveladora de sua vulnerabilidade.
Está correto o que se afirma em:
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"A herança"
Mariana encontrou a carta quando revirava os pertences
da avó, falecida há pouco mais de uma semana. A letra,
ainda que trêmula, era inconfundível. "Minha neta",
começava ela, "sei que você me julgava rígida, talvez
injusta. Não me cabe agora justificar-me; o tempo já o fez
por mim. Mas quero que saiba que tudo o que fiz — cada
palavra dura, cada silêncio imposto — teve em vista teu
bem. Não o entenderás agora, e não peço que o
entendas. Apenas guarda isto: o amor se revela de
muitas formas, e algumas delas são quase impossíveis
de reconhecer quando se é jovem. Perdoa-me, se
puderes. Se não puderes, que esta carta, pelo menos, te
sirva para compreender que também eu fui jovem um dia,
e que também me feriram, e que também aprendi a ferir
por medo de ser ferida. A casa é tua. Os bens são teus.
Mas o que realmente importa está nestas linhas, que
agora te entrego, e que guardaram por tanto tempo o que
minha boca nunca soube dizer."
TELLES, Lygia Fagundes. As horas nuas. São Paulo: Companhia das
Letras, 2010 p. 50
I. O pronome "ela" em "começava ela" retoma o termo "Mariana", funcionando como elemento de coesão e evitando a repetição desnecessária.
II. O pronome "teu" em "teu bem" tem o mesmo referente do pronome "você" e do vocativo “Minha neta”.
III. O pronome "o" em "não o entenderás" retoma o que se afirma no período anterior, garantindo a progressão temática.
IV. O pronome "me" em "Perdoa-me", segundo a gramática normativa, exerce função de sujeito, enquanto em "não peço que o entendas" o pronome "o" funciona como objeto indireto de "entendas".
Está correto o que se afirma em:
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"O silêncio dos inocentes"
O escritor, cujas obras haviam sido aclamadas pela
crítica e pelo público, sentia-se, paradoxalmente, cada
vez mais oco. As palavras, que outrora lhe fluíam com a
naturalidade de um rio em despenhadeiro, agora
resistiam em brotar. Era como se a linguagem o tivesse
traído, abandonando-o justamente quando mais
precisava dela. O que o angustiava, porém, não era a
possibilidade de nunca mais escrever, mas a terrível
suspeita de que tudo o que produzira fora, no fundo, uma
longa e elaborada mentira. E se ele não passasse de um
impostor? E se a verdade que buscara revelar estivesse,
na verdade, oculta sob camadas tão densas de artifício
que nem mesmo ele próprio conseguia mais distinguir
onde terminava a sinceridade e começava a farsa?
ROTH, Philip. A marca humana. Tradução de Paulo Henriques Britto. 1.
ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 94
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"O silêncio dos inocentes"
O escritor, cujas obras haviam sido aclamadas pela
crítica e pelo público, sentia-se, paradoxalmente, cada
vez mais oco. As palavras, que outrora lhe fluíam com a
naturalidade de um rio em despenhadeiro, agora
resistiam em brotar. Era como se a linguagem o tivesse
traído, abandonando-o justamente quando mais
precisava dela. O que o angustiava, porém, não era a
possibilidade de nunca mais escrever, mas a terrível
suspeita de que tudo o que produzira fora, no fundo, uma
longa e elaborada mentira. E se ele não passasse de um
impostor? E se a verdade que buscara revelar estivesse,
na verdade, oculta sob camadas tão densas de artifício
que nem mesmo ele próprio conseguia mais distinguir
onde terminava a sinceridade e começava a farsa?
ROTH, Philip. A marca humana. Tradução de Paulo Henriques Britto. 1.
ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 94
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"A última crônica"
[...]
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a
garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à
sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os
três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um
discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e
brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma
caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também,
atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a
mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E
enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e
acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a
menininha repousa o queixo no mármore e sopra com
força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a
bater palmas, muito compenetrada, cantando num
balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns
pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra
finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a
comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura —
ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de
bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo
botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente
do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba,
constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas
acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que
fosse pura como esse sorriso.
Fonte: SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro:
Editora do Autor, 1965. (Disponível em:
https://rubem.wordpress.com/2023/04/19/a-ultima-cronica-fernando-sabino/)
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"A última crônica"
[...]
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a
garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à
sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os
três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um
discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e
brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma
caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também,
atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa
além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a
mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E
enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e
acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a
menininha repousa o queixo no mármore e sopra com
força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a
bater palmas, muito compenetrada, cantando num
balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns
pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as
velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra
finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a
comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura —
ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de
bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo
botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente
do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a
observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba,
constrangido — vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas
acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que
fosse pura como esse sorriso.
Fonte: SABINO, Fernando. A Companheira de Viagem. Rio de Janeiro:
Editora do Autor, 1965. (Disponível em:
https://rubem.wordpress.com/2023/04/19/a-ultima-cronica-fernando-sabino/)
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- Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos: Instrumentos NormativosDeclaração Universal dos Direitos Humanos
Tão logo se inicia o documento adotado e proclamado
pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de
dezembro de 1948, nos deparamos que a Declaração
Universal dos Direitos Humanos considera que o
reconhecimento da dignidade inerente a todos os
membros da família humana e de seus direitos iguais e
inalienáveis é o fundamento:
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No Word as ferramentas de formatação apresentadas na imagem podem ser aplicadas para modificar:
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4120136
Ano: 2026
Disciplina: TI - Redes de Computadores
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. Andradas-MG
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É uma rede privada que usa a estrutura física de uma
rede pública, como a internet, e seu funcionamento
baseia-se em criptografia. A definição precedente refere-se à/ao:
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O Bloco de Notas é um pequeno programa que
acompanha o Microsoft Windows, permitindo, em tal
contexto, uma forma bem simples de edição de textos.
Por padrão, no Bloco de Notas, os arquivos são salvos
no formato:
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