Magna Concursos

Foram encontradas 510 questões.

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao uso da pontuação no texto.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

No período “A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora tenha ‘a seriedade das coisas sem etiqueta’, na definição do escritor Ferreira Gullar”, retirado do texto, a palavra “embora” indica _______ e poderia ser substituída por _______, ______ necessárias alterações no período a fim de manter as corretas relações gramaticais.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa na qual há o emprego da voz passiva.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os processos de formação às respectivas palavras retiradas do texto. 

Coluna 1
1. Composição.
2. Derivação prefixal.
3. Derivação regressiva.
4. Derivação sufixal. 

Coluna 2
( ) Inconsciente.
( ) Trabalho.
( ) Historiador.
( ) Nordeste.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual a palavra retirada do texto NÃO apresenta dígrafo.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando as regras de acentuação e de ortografia vigentes, analise as assertivas a seguir:

I. As palavras “crônicas” e “geográfico” recebem acento em decorrência da mesma regra de acentuação gráfica.
II. As palavras “alguém” e “além” são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em “-em”.
III. O hífen é obrigatório em “primeiro-ministro” porque se trata de um substantivo composto cujos elementos formam uma unidade de sentido.

Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o sentido correto da palavra “alienado” no trecho “A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado [...]”, retirado do texto.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação aos mecanismos de coesão empregados no texto, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.

I. Em “Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas percepções transformam-se em crônicas” (l. 07-08), a expressão “essas percepções” se refere às diferentes formas de observar o cotidiano mencionadas anteriormente no texto.
II. No trecho “Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro”, o termo “já” estabelece uma relação entre as experiências relatadas, contribuindo para a coesão sequencial do texto.
III. Em “O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a dinâmica da vida [...]”, “nele” retoma o termo “debate”.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação ao exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) A ideia central do texto é refletir sobre como o cotidiano pode se transformar em matéria literária.
( ) O texto tem como principal objetivo prescrever comportamentos e oferecer regras de convivência.
( ) Ao relatar a frase ouvida no metrô lisboeta (“Brasileiros, deviam morrer todos”), o texto permite inferir que o escritor mencionado passou a considerar que aquela manifestação preconceituosa era representativa de todo o povo português.
( ) As referências a Milton Santos, Djamila Ribeiro e Ferreira Gullar reforçam a reflexão desenvolvida pela cronista, conferindo maior sustentação às ideias apresentadas no texto.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

O ordinário do cotidiano

Por Cristina Fontenele

Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no

guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”

ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica

registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para

o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.

Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois

escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas

percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e

vulgar da vida comum.

Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu

território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre

o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as

pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade

do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem

chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.

Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para

contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores

relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:

“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não

definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.

Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto

recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,

emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o

São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o

paradoxo das interações.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar

vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a

dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica

as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também

no ”lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.

De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?

Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista

uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na

beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a

redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira

integrante da prosa.

A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora

tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero

que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de

aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também

perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,

repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por

um amigo numa viagem ao Peru.

(Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando as características do gênero textual crônica, assinale a alternativa correta.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas