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Foram encontradas 40 questões.

3373075 Ano: 2022
Disciplina: Direito Constitucional
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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Assinale a alternativa que completa corretamente o artigo 204 da Lei Orgânica do Município de Santos, Art. 204. As crianças e adolescentes deficientes físicos e mentais que pelo seu grau de deficiência, tenham condições de acompanhar o processo de escolaridade nas salas de aula comuns:

 

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3373074 Ano: 2022
Disciplina: Direitos Humanos
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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A Lei nº 13.146/2015 institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Essa Lei estabelece que:

 

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3373073 Ano: 2022
Disciplina: Direitos Humanos
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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A Lei Federal nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Austista. Com base no disposto nessa lei, assinale a alternativa incorreta.

 

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3373066 Ano: 2022
Disciplina: Direito Educacional e Tecnológico
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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Considerando o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases, avalie os itens seguintes.

I. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.

II. O controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, sendo vedada a exigência de frequência mínima para aprovação.

Sobre os itens apresentados é correto afirmar que:

 

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3373043 Ano: 2022
Disciplina: História
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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O trecho a seguir é a transcrição, com lacunas, do artigo 4º da Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

Art. 4º - O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de (I) , de (II) e de (III) , em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante (IV) , conforme legislação vigente.

Qual alternativa preenche correta e respectivamente as lacunas do artigo 4º?

 

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3373042 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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FAZ POUCO TEMPO

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem", diz o avô aos netos adolescentes.

Os três jovens sabiam que essa frase introduzia uma chuva de memórias e que deveriam ouvi-las porque amavam o avô e porque os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes. Com a supervisão do olhar paterno e materno e um pouco de impulso afetivo, eles chegam mais perto do velho senhor.

– Como era?

– Ah, meninos, era outra época. A gente não fazia exames com cotonetes nas narinas e ninguém usava máscara.

Os netos se entreolharam. Seria o início da senilidade quando a memória fica mais liberta dos fatos reais? Voltaram a entreolhar-se de forma cúmplice e continuaram dispostos a ouvir o pai do pai.

– Vou um pouco mais para trás. Não existiam celulares e fazíamos poucas fotos. As pessoas conversavam umas com as outras sempre que saíam.

Agora sim: os netos tinham certeza de que a saúde mental do patriarca estava em declínio absoluto. Como sair sem celular? Como não fotografar tudo? Sobre o que poderiam conversar as pessoas se nao tivessem redes sociais? Duvidaram, ainda mais, da lucidez do avô, especialmente no exato momento em que o olhar do pai ficou mais vigilante do outro lado da sala.

O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior. Descreveu um mundo de barbárie absoluta com discos comprados em lojas, sem internet e, como único sistema de delivery de comida, um padeiro e um leiteiro que deixavam as coisas em casa pela manhã. O mais novo perguntou:

– Mas... pedia pelo aplicativo, vô?

O senhor não respondeu à pergunta. Estava imerso naquela melancolia que colabora para tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos. Falou de cartas escritas a mão, envelopes com selos, ligações interurbanas caríssimas para a Europa, uma televisão por família, carros que duravam muitos anos em cada casa, eletrodomésticos que eram dados de presente no dia do casamento e eram trocados, por vezes, nas bodas de prata.

– A gente consertava as coisas: sapatos, batedeiras, casamentos... Não se jogava fora ao primeiro sinal de fadiga de material.

Consertar um calçado era algo muito estranho aos três netos. Quando o tênis rasgava, era o momento de trocá-lo, ou até antes. Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações ali em debate. Todavia a narrativa estranha daquele mundo muito antigo, quase uma Idade das Trevas tecnológicas, seduzia um pouco eles.

– Entre 1970 e 1986, eu e sua avó tivemos o mesmo aparelho de telefone fixo, depois, ela inventou de comprar um modelo novo e começou a trocar.

Dezesseis anos com um aparelho? Júlia nunca tinha conseguido ter um por muito tempo. Dezesseis anos eram dois a mais do que toda a vida dela. Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse! A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!

A narrativa ainda descreveu uma escola de presença diária, sem aulas virtuais. "Todos os dias", a expressão parecia inacreditável. Como alguém aguentava? De fato, nenhum dos netos conseguia supor aquela época contemporânea das pirâmides do Egito. Era concebível? As pessoas, desesperadas, não se atiravam das pontes pelo vazio da sociedade sem smartphones?

Já fazia trinta minutos que o senhor descrevia, com alguma idealização, o passado. Eram dois mundos incomunicáveis.

O horário do almoço se aproximava e os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos. O velho senhor encerrou a história com a revelação final: não havia tomadas ao lado da cama na infância dele. Por vezes, uma única, ocupada pelo abajur. "Sem tomadas ao lado da cama?" Agora, a narrativa tinha se tornado mística em excesso.

Os três almoçaram felizes por terem se livrado de nascer em época tão atrasada.

– Faz pouco tempo! exclamou o avô, balançando a cabeça com saudade.

Leandro Karnal. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 13.2.2022. Compilado.

Tomando por base as premissas da norma culta de nossa língua, avalie as considerações seguintes.

I. "O senhor não respondeu à pergunta" - a regência do verbo em destaque no excerto é a mesma do enfatizado no segmento "A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!".

II. "tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos" - o emprego da crase na expressão enfatizada está em consonância com a gramática normativa, assim como o está na frase: "Ainda que à contragosto permaneceu na cerimônia até o final".

III. "Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse" - a próclise empregada no excerto é obrigatória se considerados os princípios da gramática normativa.

IV. "Sobre o que poderiam conversar as pessoas se não tivessem redes sociais?" - a preposição em destaque indica, no contexto, condição hipotética.

Está correto o asseverado em:

 

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3373041 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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FAZ POUCO TEMPO

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem", diz o avô aos netos adolescentes.

Os três jovens sabiam que essa frase introduzia uma chuva de memórias e que deveriam ouvi-las porque amavam o avô e porque os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes. Com a supervisão do olhar paterno e materno e um pouco de impulso afetivo, eles chegam mais perto do velho senhor.

– Como era?

– Ah, meninos, era outra época. A gente não fazia exames com cotonetes nas narinas e ninguém usava máscara.

Os netos se entreolharam. Seria o início da senilidade quando a memória fica mais liberta dos fatos reais? Voltaram a entreolhar-se de forma cúmplice e continuaram dispostos a ouvir o pai do pai.

– Vou um pouco mais para trás. Não existiam celulares e fazíamos poucas fotos. As pessoas conversavam umas com as outras sempre que saíam.

Agora sim: os netos tinham certeza de que a saúde mental do patriarca estava em declínio absoluto. Como sair sem celular? Como não fotografar tudo? Sobre o que poderiam conversar as pessoas se nao tivessem redes sociais? Duvidaram, ainda mais, da lucidez do avô, especialmente no exato momento em que o olhar do pai ficou mais vigilante do outro lado da sala.

O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior. Descreveu um mundo de barbárie absoluta com discos comprados em lojas, sem internet e, como único sistema de delivery de comida, um padeiro e um leiteiro que deixavam as coisas em casa pela manhã. O mais novo perguntou:

– Mas... pedia pelo aplicativo, vô?

O senhor não respondeu à pergunta. Estava imerso naquela melancolia que colabora para tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos. Falou de cartas escritas a mão, envelopes com selos, ligações interurbanas caríssimas para a Europa, uma televisão por família, carros que duravam muitos anos em cada casa, eletrodomésticos que eram dados de presente no dia do casamento e eram trocados, por vezes, nas bodas de prata.

– A gente consertava as coisas: sapatos, batedeiras, casamentos... Não se jogava fora ao primeiro sinal de fadiga de material.

Consertar um calçado era algo muito estranho aos três netos. Quando o tênis rasgava, era o momento de trocá-lo, ou até antes. Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações ali em debate. Todavia a narrativa estranha daquele mundo muito antigo, quase uma Idade das Trevas tecnológicas, seduzia um pouco eles.

– Entre 1970 e 1986, eu e sua avó tivemos o mesmo aparelho de telefone fixo, depois, ela inventou de comprar um modelo novo e começou a trocar.

Dezesseis anos com um aparelho? Júlia nunca tinha conseguido ter um por muito tempo. Dezesseis anos eram dois a mais do que toda a vida dela. Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse! A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!

A narrativa ainda descreveu uma escola de presença diária, sem aulas virtuais. "Todos os dias", a expressão parecia inacreditável. Como alguém aguentava? De fato, nenhum dos netos conseguia supor aquela época contemporânea das pirâmides do Egito. Era concebível? As pessoas, desesperadas, não se atiravam das pontes pelo vazio da sociedade sem smartphones?

Já fazia trinta minutos que o senhor descrevia, com alguma idealização, o passado. Eram dois mundos incomunicáveis.

O horário do almoço se aproximava e os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos. O velho senhor encerrou a história com a revelação final: não havia tomadas ao lado da cama na infância dele. Por vezes, uma única, ocupada pelo abajur. "Sem tomadas ao lado da cama?" Agora, a narrativa tinha se tornado mística em excesso.

Os três almoçaram felizes por terem se livrado de nascer em época tão atrasada.

– Faz pouco tempo! exclamou o avô, balançando a cabeça com saudade.

Leandro Karnal. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 13.2.2022. Compilado.

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem".

A frase atribuida ao avô, no texto, suscita em seus netos:

 

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3373040 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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FAZ POUCO TEMPO

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem", diz o avô aos netos adolescentes.

Os três jovens sabiam que essa frase introduzia uma chuva de memórias e que deveriam ouvi-las porque amavam o avô e porque os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes. Com a supervisão do olhar paterno e materno e um pouco de impulso afetivo, eles chegam mais perto do velho senhor.

– Como era?

– Ah, meninos, era outra época. A gente não fazia exames com cotonetes nas narinas e ninguém usava máscara.

Os netos se entreolharam. Seria o início da senilidade quando a memória fica mais liberta dos fatos reais? Voltaram a entreolhar-se de forma cúmplice e continuaram dispostos a ouvir o pai do pai.

– Vou um pouco mais para trás. Não existiam celulares e fazíamos poucas fotos. As pessoas conversavam umas com as outras sempre que saíam.

Agora sim: os netos tinham certeza de que a saúde mental do patriarca estava em declínio absoluto. Como sair sem celular? Como não fotografar tudo? Sobre o que poderiam conversar as pessoas se nao tivessem redes sociais? Duvidaram, ainda mais, da lucidez do avô, especialmente no exato momento em que o olhar do pai ficou mais vigilante do outro lado da sala.

O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior. Descreveu um mundo de barbárie absoluta com discos comprados em lojas, sem internet e, como único sistema de delivery de comida, um padeiro e um leiteiro que deixavam as coisas em casa pela manhã. O mais novo perguntou:

– Mas... pedia pelo aplicativo, vô?

O senhor não respondeu à pergunta. Estava imerso naquela melancolia que colabora para tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos. Falou de cartas escritas a mão, envelopes com selos, ligações interurbanas caríssimas para a Europa, uma televisão por família, carros que duravam muitos anos em cada casa, eletrodomésticos que eram dados de presente no dia do casamento e eram trocados, por vezes, nas bodas de prata.

– A gente consertava as coisas: sapatos, batedeiras, casamentos... Não se jogava fora ao primeiro sinal de fadiga de material.

Consertar um calçado era algo muito estranho aos três netos. Quando o tênis rasgava, era o momento de trocá-lo, ou até antes. Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações ali em debate. Todavia a narrativa estranha daquele mundo muito antigo, quase uma Idade das Trevas tecnológicas, seduzia um pouco eles.

– Entre 1970 e 1986, eu e sua avó tivemos o mesmo aparelho de telefone fixo, depois, ela inventou de comprar um modelo novo e começou a trocar.

Dezesseis anos com um aparelho? Júlia nunca tinha conseguido ter um por muito tempo. Dezesseis anos eram dois a mais do que toda a vida dela. Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse! A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!

A narrativa ainda descreveu uma escola de presença diária, sem aulas virtuais. "Todos os dias", a expressão parecia inacreditável. Como alguém aguentava? De fato, nenhum dos netos conseguia supor aquela época contemporânea das pirâmides do Egito. Era concebível? As pessoas, desesperadas, não se atiravam das pontes pelo vazio da sociedade sem smartphones?

Já fazia trinta minutos que o senhor descrevia, com alguma idealização, o passado. Eram dois mundos incomunicáveis.

O horário do almoço se aproximava e os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos. O velho senhor encerrou a história com a revelação final: não havia tomadas ao lado da cama na infância dele. Por vezes, uma única, ocupada pelo abajur. "Sem tomadas ao lado da cama?" Agora, a narrativa tinha se tornado mística em excesso.

Os três almoçaram felizes por terem se livrado de nascer em época tão atrasada.

– Faz pouco tempo! exclamou o avô, balançando a cabeça com saudade.

Leandro Karnal. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 13.2.2022. Compilado.

Avalie as asserções feitas sobre o texto.

I. O texto contrapõe diferenças geracionais relacionadas a costumes e comportamentos, o que se torna nítido nos excertos "Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações" e "Eram dois mundos incomunicáveis".

II. Leandro Karnal, em seu texto, utiliza-se frequentemente de elementos de ironia para acrescentar-lhe humor. Podemos corroborar essa afirmação nas seguintes passagens: "O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior" e "os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos".

III. Inferimos do texto que o avô descrevia com total isenção a sociedade na qual estava inserido em sua juventude. Seus relatos eram fundamentados no real e não no ideal.

IV. A comparação entre a geração do avô e a dos netos pode se dar no seguinte sentido: a primeira pautava-se pela durabilidade de instituições e objetos, a segunda, por sua vez, pela naturalidade com que se procedem descartes.

Pode ser considerada inferência de sua leitura o afirmado em:

 

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3373039 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Santos-SP
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FAZ POUCO TEMPO

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem", diz o avô aos netos adolescentes.

Os três jovens sabiam que essa frase introduzia uma chuva de memórias e que deveriam ouvi-las porque amavam o avô e porque os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes. Com a supervisão do olhar paterno e materno e um pouco de impulso afetivo, eles chegam mais perto do velho senhor.

– Como era?

– Ah, meninos, era outra época. A gente não fazia exames com cotonetes nas narinas e ninguém usava máscara.

Os netos se entreolharam. Seria o início da senilidade quando a memória fica mais liberta dos fatos reais? Voltaram a entreolhar-se de forma cúmplice e continuaram dispostos a ouvir o pai do pai.

– Vou um pouco mais para trás. Não existiam celulares e fazíamos poucas fotos. As pessoas conversavam umas com as outras sempre que saíam.

Agora sim: os netos tinham certeza de que a saúde mental do patriarca estava em declínio absoluto. Como sair sem celular? Como não fotografar tudo? Sobre o que poderiam conversar as pessoas se nao tivessem redes sociais? Duvidaram, ainda mais, da lucidez do avô, especialmente no exato momento em que o olhar do pai ficou mais vigilante do outro lado da sala.

O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior. Descreveu um mundo de barbárie absoluta com discos comprados em lojas, sem internet e, como único sistema de delivery de comida, um padeiro e um leiteiro que deixavam as coisas em casa pela manhã. O mais novo perguntou:

– Mas... pedia pelo aplicativo, vô?

O senhor não respondeu à pergunta. Estava imerso naquela melancolia que colabora para tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos. Falou de cartas escritas a mão, envelopes com selos, ligações interurbanas caríssimas para a Europa, uma televisão por família, carros que duravam muitos anos em cada casa, eletrodomésticos que eram dados de presente no dia do casamento e eram trocados, por vezes, nas bodas de prata.

– A gente consertava as coisas: sapatos, batedeiras, casamentos... Não se jogava fora ao primeiro sinal de fadiga de material.

Consertar um calçado era algo muito estranho aos três netos. Quando o tênis rasgava, era o momento de trocá-lo, ou até antes. Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações ali em debate. Todavia a narrativa estranha daquele mundo muito antigo, quase uma Idade das Trevas tecnológicas, seduzia um pouco eles.

– Entre 1970 e 1986, eu e sua avó tivemos o mesmo aparelho de telefone fixo, depois, ela inventou de comprar um modelo novo e começou a trocar.

Dezesseis anos com um aparelho? Júlia nunca tinha conseguido ter um por muito tempo. Dezesseis anos eram dois a mais do que toda a vida dela. Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse! A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!

A narrativa ainda descreveu uma escola de presença diária, sem aulas virtuais. "Todos os dias", a expressão parecia inacreditável. Como alguém aguentava? De fato, nenhum dos netos conseguia supor aquela época contemporânea das pirâmides do Egito. Era concebível? As pessoas, desesperadas, não se atiravam das pontes pelo vazio da sociedade sem smartphones?

Já fazia trinta minutos que o senhor descrevia, com alguma idealização, o passado. Eram dois mundos incomunicáveis.

O horário do almoço se aproximava e os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos. O velho senhor encerrou a história com a revelação final: não havia tomadas ao lado da cama na infância dele. Por vezes, uma única, ocupada pelo abajur. "Sem tomadas ao lado da cama?" Agora, a narrativa tinha se tornado mística em excesso.

Os três almoçaram felizes por terem se livrado de nascer em época tão atrasada.

– Faz pouco tempo! exclamou o avô, balançando a cabeça com saudade.

Leandro Karnal. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 13.2.2022. Compilado.

Analise os trechos abaixo.

I. "...os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes."

II. "Falou de cartas escritas a mão..."

Os termos em destaque, no contexto em que estão inseridos, sinalizam:

 

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3373038 Ano: 2022
Disciplina: Português
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FAZ POUCO TEMPO

"Faz pouco tempo, parece que foi ontem", diz o avô aos netos adolescentes.

Os três jovens sabiam que essa frase introduzia uma chuva de memórias e que deveriam ouvi-las porque amavam o avô e porque os pais estavam por perto para garantir a fidelidade às raízes. Com a supervisão do olhar paterno e materno e um pouco de impulso afetivo, eles chegam mais perto do velho senhor.

– Como era?

– Ah, meninos, era outra época. A gente não fazia exames com cotonetes nas narinas e ninguém usava máscara.

Os netos se entreolharam. Seria o início da senilidade quando a memória fica mais liberta dos fatos reais? Voltaram a entreolhar-se de forma cúmplice e continuaram dispostos a ouvir o pai do pai.

– Vou um pouco mais para trás. Não existiam celulares e fazíamos poucas fotos. As pessoas conversavam umas com as outras sempre que saíam.

Agora sim: os netos tinham certeza de que a saúde mental do patriarca estava em declínio absoluto. Como sair sem celular? Como não fotografar tudo? Sobre o que poderiam conversar as pessoas se nao tivessem redes sociais? Duvidaram, ainda mais, da lucidez do avô, especialmente no exato momento em que o olhar do pai ficou mais vigilante do outro lado da sala.

O senhor de cabelos brancos falou daquele quase paleolítico inferior. Descreveu um mundo de barbárie absoluta com discos comprados em lojas, sem internet e, como único sistema de delivery de comida, um padeiro e um leiteiro que deixavam as coisas em casa pela manhã. O mais novo perguntou:

– Mas... pedia pelo aplicativo, vô?

O senhor não respondeu à pergunta. Estava imerso naquela melancolia que colabora para tornar o passado brilhante à medida que dele nos distanciamos. Falou de cartas escritas a mão, envelopes com selos, ligações interurbanas caríssimas para a Europa, uma televisão por família, carros que duravam muitos anos em cada casa, eletrodomésticos que eram dados de presente no dia do casamento e eram trocados, por vezes, nas bodas de prata.

– A gente consertava as coisas: sapatos, batedeiras, casamentos... Não se jogava fora ao primeiro sinal de fadiga de material.

Consertar um calçado era algo muito estranho aos três netos. Quando o tênis rasgava, era o momento de trocá-lo, ou até antes. Chocavam-se dois modelos de capitalismo entre as gerações ali em debate. Todavia a narrativa estranha daquele mundo muito antigo, quase uma Idade das Trevas tecnológicas, seduzia um pouco eles.

– Entre 1970 e 1986, eu e sua avó tivemos o mesmo aparelho de telefone fixo, depois, ela inventou de comprar um modelo novo e começou a trocar.

Dezesseis anos com um aparelho? Júlia nunca tinha conseguido ter um por muito tempo. Dezesseis anos eram dois a mais do que toda a vida dela. Como se ela tivesse recebido um celular ao nascer e, incrível, ainda o usasse! A menina estava realmente espantada que sua família tivesse sobrevivido a um mundo assim!

A narrativa ainda descreveu uma escola de presença diária, sem aulas virtuais. "Todos os dias", a expressão parecia inacreditável. Como alguém aguentava? De fato, nenhum dos netos conseguia supor aquela época contemporânea das pirâmides do Egito. Era concebível? As pessoas, desesperadas, não se atiravam das pontes pelo vazio da sociedade sem smartphones?

Já fazia trinta minutos que o senhor descrevia, com alguma idealização, o passado. Eram dois mundos incomunicáveis.

O horário do almoço se aproximava e os pais entraram na sala para dar liberdade provisória aos netos. O velho senhor encerrou a história com a revelação final: não havia tomadas ao lado da cama na infância dele. Por vezes, uma única, ocupada pelo abajur. "Sem tomadas ao lado da cama?" Agora, a narrativa tinha se tornado mística em excesso.

Os três almoçaram felizes por terem se livrado de nascer em época tão atrasada.

– Faz pouco tempo! exclamou o avô, balançando a cabeça com saudade.

Leandro Karnal. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 13.2.2022. Compilado.

Há no texto emprego constante de linguagem figurada (ou não literal). Ilustra essa afirmação o segmento reproduzido em qual alternativa?

 

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