Foram encontradas 5.194 questões.
Leia o poema a seguir.
Tenho quebrado copos
Tenho quebrado copos
é o que tenho feito
raramente me machuco embora uma vez sim
uma vez quebrei um copo com as mãos
era frágil demais foi o que pensei
era feito para quebrar-se foi o que pensei
e não: eu fui feita para quebrar
em geral eles apenas se espatifam
na pia entre a louça branca e os talheres
(esses não quebram nunca) ou no chão
espalhando-se então com um baque luminoso
tenho recolhido cacos
tenho observado brevemente seu formato
pensando que acontecer é irreversível
pensando em como é fácil destroçar
tenho embrulhado os cacos com jornal
para que ninguém se machuque
como minha mãe me ensinou
como se fosse mesmo possível
evitar os cortes
(mas que não seja eu a ferir)
tenho andado a tentar
não me ferir e não ferir os outros
enquanto esgoto o estoque de copos
mas não tenho quebrado minhas próprias mãos
golpeando os azulejos
não tenho passado a noite
deitada no chão de mármore
estudando as trocas de calor
não tenho mastigado o vidro
procurando separar na boca
o sabor do sangue o sabor do sabão
nem tenho feito uma oração
pelo destino variado
do que antes era um
e por minha força morre múltiplo
tenho quebrado copos
para isso parece deram-me mãos
tenho depois encontrado
cacos que não recolhi
e que identifico por um brilho súbito
no chão da cozinha de manhã
tenho andado com cuidado
com os olhos no chão
à procura de algo que brilhe
e tenho quebrado copos
é o que tenho feito
(MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo. Companhia das Letras, 2015. p. 101-102.)
Considerando esse poema e a integralidade da obra de que foi retirado, assinale a alternativa correta.
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E, quando espiei outra vez, vi exato: Targino, fixo, como um manequim, e Manuel Fulô pulando nele e o esfaqueando, pela altura do peito – tudo com rara elegância e suma precisão. Targino girou na perna esquerda ceifando o ar com a direita; capotou; e desviveu, num átimo. Seu rosto guardou um ar de temor salutar.
– Conheceu, diabo, o que é raça de Peixoto?!
(ROSA, João Guimarães. Corpo fechado. In: . Sagarana. Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 400. v. 1.)
Mas Nhô Augusto tinha o rosto radiante, e falou:
– Perguntem quem é que aí algum dia ouviu falar no nome de Nhô Augusto Esteves, das Pindaíbas?
– Virgem Santa! Eu logo vi que só podia ser você, meu primo Nhô Augusto...
Era o João Lomba, conhecido velho e meio parente. Nhô Augusto riu:
– E hein, hein João?!
– P’ ra ver...
Então Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue, e de seu rosto subia
um sério contentamento.
Daí mais, olhou, procurando João Lomba, e disse, agora sussurrando, sumido:
– Põe a benção na minha filha...seja lá onde for que ela esteja...E, Dionora...Fala com a Dionora que está tudo em ordem!
Depois morreu.
(ROSA, João Guimarães. A hora e a vez de
Augusto Matraga. In: . Sagarana. Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 462. v. 1.)
Com base nas informações apresentadas e na obra completa, assinale a alternativa correta.
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Considere o seguinte texto:
... As vezes mudam algumas famílias para a favela, com crianças. No inicio são iducadas, amaveis. Dias depois usam o calão, são soezes e repugnantes. São diamantes que transformam em chumbo. Transformam-se em objetos que estavam na sala de visita e foram para o quarto de despejo.
(JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014. p. 38.)
A respeito de Quarto de despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, considere as seguintes afirmativas:
1. Carolina acredita que a vida na favela é perniciosa para a formação das crianças, porém, como ali não chegam informações relevantes sobre a vida pública, ela é incapaz de emitir opiniões políticas ou de se revoltar.
2. João, José Carlos e Vera tendem a se “transformar em chumbo” porque, ao priorizar a escrita e divulgação de seu diário, Carolina muitas vezes descuida das atividades domésticas e da atenção aos próprios filhos.
3. A metáfora “quarto de despejo” é repetida em várias passagens do diário para significar a exclusão, o não pertencimento a espaços em que a dignidade da vida humana estivesse garantida.
4. Palavras escritas sem obediência à norma padrão aparecem com frequência, porém os raciocínios que a autora elabora são complexos e o cotidiano é muitas vezes descrito com lirismo.
Assinale a alternativa correta.
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Assinale a alternativa correta a respeito de Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto.
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Assinale a alternativa que reúne informações corretas a respeito do enredo e de personagens do romance Casa de Pensão (1884), de Aluísio Azevedo.
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O livro Últimos Cantos, de Gonçalves Dias, reúne poemas de gêneros e temáticas variados. Há elegia, idílio, poema épico, lírico, de temática nacionalista, indianista, amorosa, etc. Em cada alternativa abaixo, há uma estrofe de um poema desse livro; entre parênteses está o título do poema. Citam-se estrofes de poemas narrativos e apenas uma estrofe de poema não narrativo. Assinale a alternativa que contém uma estrofe não narrativa.
(DIAS, Gonçalves. Poesia e prosa completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.)
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Jaú-SP
Romance narrado por Luís da Silva, um funcionário público e escritor fracassado; caracterizado pela autoanálise e pelo encadeamento narrativo, centrado na interioridade do protagonista.
Luís volta-se ao passado buscando reestabelecer o desarranjo interior causado pelo rompimento de seu noivado com Marina, agora comprometida com Julião Tavares. Entretanto a insatisfação permanente com o presente tem do passado apenas conclusões amargas a respeito de si mesmo, dos outros personagens e do mundo em geral.
Surgem na narrativa lembranças de uma infância de afetos distantes, de frustrações sexuais e profissionais, delineando uma completa falta de horizonte e um desencanto perpétuo do personagem com relação a si mesmo e ao estado de coisas. Apaixonar-se por sua vizinha, Marina, o que lhe traz lampejos de satisfação. Marcam casamento, contudo, seus planos são frustrados ao descobrir que Marina estava traindo-o com Julião Tavares, sujeito rico, eufórico, eloquente, com aspirações literárias e constante ar de superioridade. O ciúme passa, então, a tomar posse de Luís, que, enganado e humilhado, mergulha em si mesmo e no transtorno da derrota.
Estando numa condição financeira miserável, sem condições de pagar as próprias contas, revivendo seus fantasmas do passado, Luís é incapaz de afastar Marina e Julião Tavares do pensamento. Segue a moça, vigia o rival, até descobrir que Julião estava envolvido com uma outra mulher.
A obsessão com as lembranças e a fragmentação subjetiva angustiante de Luís levam-no a planejar o assassinato de Julião Tavares. Até que, em uma de suas perseguições, Luís encontra a oportunidade perfeita e estrangula Julião. Tomado de euforia e de súbita felicidade, sentiu-se repentinamente forte, não mais insignificante — naquele momento, seus sofrimentos terminam.
No entanto, esse lapso de alegria e reconciliação consigo dura muito pouco: rapidamente a angústia volta a instalar-se em Luís, tomado pelo desespero de ser descoberto. Ele volta para casa, completamente perturbado, toma uma garrafa de cachaça e adormece. Não comparece ao trabalho no dia seguinte. Livra-se dos vestígios que o ligariam à cena do crime e deita-se, adoentado e transtornado mais uma vez pelas lembranças, sufocado pela angústia.
Tal resumo refere-se à obra:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Jaú-SP
Sobre características das escolas literárias, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.
COLUNA I.
A- Quinhentismo.
B- Barroco.
C- Arcadismo.
D- Romantismo.
E- Realismo.
COLUNA II.
1- O dualismo, o bifrontismo, o fusionismo, o feísmo, religiosidade mesclada com a sensualidade.
2- Imposição do “eu”, subjetivismo, individualismo, predomínio da emoção, da imaginação, escapismo, religiosidade, ilogismo, idealização, nacionalismo.
3- Objetivismo, impassibilidade, observação e análise, temas contemporâneos, preocupação formal.
4- Simplicidade, clareza, equilíbrio, pastoralismo, bucolismo, poesia descritiva e objetiva.
5- Textos informativos, textos propagandísticos, textos catequéticos, textos de viajantes estrangeiros.
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
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Escravidão e o mito da benevolência
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01--Certa vez um etnologista disse que "o caminho do progresso é cheio de aventuras, rupturas e escândalos".
02--Devemos, assim, começar examinando o maior de todos os escândalos, aquele que ultrapassou qualquer
03--outro na história da humanidade: a escravização dos povos negro-africanos.
04--No Brasil, é a escravidão que define a qualidade, a extensão e a intensidade da relação física e espiritual
05--dos filhos de três continentes que aqui se encontraram, confrontando um ao outro no esforço épico de
06--edificar um novo país, com suas características próprias, tanto na composição étnica do seu povo quanto
07--na especificidade do seu espírito.
08--A chamada "descoberta" do Brasil pelos portugueses, em 1500, nos assinala o ponto de partida. A
09--exploração da nova terra se iniciou com o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com
10--suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão. Por volta de 1530, os africanos, trazidos
11--sob correntes, já aparecem exercendo seu papel de "força de trabalho". Em 1535, o comércio escravo para
12--o Brasil estava regularmente constituído e organizado e, rapidamente, aumentaria em proporções
13--enormes. Como primeira atividade significativa da colônia portuguesa, as plantações de cana-de-açúcar se
14--espalhavam pelas costas do nordeste, especialmente nos estados da Bahia e Pernambuco. Só a Bahia, lá
15--por 1587, tinha cerca de 47 engenhos de cana-de-açúcar, fato que bem ilustra a velocidade expansionista
16--da indústria açucareira desenvolvida com o uso da força muscular africana. Uma canção de trabalho
17--incluída no artigo de Zora Seljan, “A poesia negra popular no Brasil”, nos fornece o sentido do ritmo dos
18--engenhos de açúcar:
19----------Solo: Engenho novo está p'ra moer!
20----------Côro: Trabalhar até morrer!
21----------Ô trabalhar, ô trabalhar, olé! Trabalhar até morrer!
-------[...]
22--O papel do negro escravizado foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como
23--era o caso do Brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. Sem o escravo, a estrutura econômica do
24--país jamais teria existido. O africano escravizado construiu as fundações da nova sociedade com a flexão e
25--a quebra da sua espinha dorsal, quando ao mesmo tempo seu trabalho significava a própria espinha dorsal
26--daquela colônia. Ele plantou, alimentou e colheu a riqueza material do país para o desfrute exclusivo da
27--aristocracia branca. Tanto nas plantações de cana-de-açúcar e café e na mineração, quanto nas cidades, o
28--africano incorporava as mãos e os pés das classes dirigentes que não se “autodegradavam” em ocupações
29--vis como aquelas do trabalho braçal. A nobilitante ocupação das classes dirigentes - os latifundiários, os
30--comerciantes, os sacerdotes católicos - consistia no exercício da indolência, no cultivo da ignorância, do
31--preconceito, e na prática da mais licenciosa luxúria.
32--Durante séculos, por mais incrível que pareça, esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama,
33--sobretudo no estrangeiro, de ser uma instituição benigna, de caráter humano. Isso graças ao colonialismo
34--português que permanentemente adotou formas de comportamento muito específicas para disfarçar sua
35--fundamental violência e crueldade. A mentira e a dissimulação foram recursos utilizados nesse sentido. A
36--consciência do mundo guarda bem viva a lembrança do colonialista Portugal encobrindo sua natureza
37--racista e espoliadora através de estratagemas como: a) designação de "Províncias de Ultramar" para
38--Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; b) as leis do chamado indigenato, proscrevendo, entre outras
39--indignidades, a assimilação das populações africanas à cultura e identidade portuguesas. Essa rabulice
40--colonizadora pretendia imprimir o selo de legalidade, benevolência e generosidade civilizadora à sua
41--atuação no território africano. Porém, todas essas e outras dissimulações oficiais não conseguiram encobrir
42--a realidade, que consistia no saque de terras e povos e na repressão e negação de suas culturas - ambos
43--sustentados e realizados, não pelo artifício jurídico, mas sim pela força militar imperialista.
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NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. São Paulo: Perspectivas,
2016. p. 57-60. (Adaptado).
O trecho “o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão” (linhas 9-10) é construído a partir do seguinte recurso estilístico:
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− Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem
Com ventos e tormentas desmedidas.
E da primeira armada que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei d’improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo.
(CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Canto V, estrofe 43)
Nesse momento da narrativa, em que os navegantes se dirigiam ao Cabo das Tormentas, Vasco da Gama depara com as ameaças proferidas
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