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Respondida
A sentença judicial impôs, na ação civil pública, obrigação de fazer e pagamento de valor para
reparação de interesse difuso lesado. Na fase de cumprimento de sentença, com o objetivo de maior
resolutividade, o autor da ação coletiva aceita realizar o acordo, reduzindo o valor fixado a título de
reparação. Acerca disso, é correto afirmar:
Respondida
A respeito de tutelas de urgência, é correto afirmar que:
A
Em mandado de segurança impetrado por servidor público visando anular a pena de
suspensão que lhe foi aplicada, houve pedido de suspensão da pena até o julgamento do
processo. O juiz, não verificando haver elementos de convicção necessários para a medida,
determina corretamente, com base no artigo 300, § 2º, do CPC, que sejam arroladas
testemunhas a fim de realizar audiência de justificação.
B
Em determinado processo foi deferida liminarmente a medida de proibição de transferência
de determinado veículo automotor. Após instrução, o juiz julga improcedente a demanda e
revoga a tutela de urgência. O réu postula indenização pelo prejuízo decorrente da medida,
porque o veículo, quando utilizado por ele durante o pedido de restrição à venda, envolveu-se em acidente e teve perda total, e o juiz corretamente determina a indenização com
fundamento na responsabilidade objetiva prevista no artigo 302 do CPC.
C
João ajuíza demanda em face de instituição bancária alegando que foi vítima de fraude,
consistente na falsificação de contrato de financiamento. O juiz defere a liminar pretendida e
suspende a execução do contrato. A ré agrava e o Tribunal competente reforma a decisão,
pois entende não haver suficiente prova da existência da fraude. Realizada instrução nesse processo, na sentença o juiz novamente defere a medida de suspensão, com fundamento na
prova realizada, julgando procedente a demanda. Com isso, violou a anterior decisão do
Tribunal a respeito da suspensão, sujeitando-se até mesmo a medidas correicionais.
D
José move demanda em face da operadora do plano de saúde visando imediata internação
para tratar doença, recusada pela ré por ser preexistente. O juiz defere a liminar mas a
condiciona a caução em dinheiro. José alega que não possui condições financeiras de
efetuar a caução, sendo hipossuficiente, e o juiz, corretamente, revoga a medida
antecipatória com fundamento na falta de garantia.
E
Determinado imóvel, em processo de tombamento por seu valor arquitetônico e histórico, está
em risco de ruína. O Município onde está o bem localizado ajuíza demanda visando sua
imediata demolição e pede providência liminar nesse sentido, que é indeferida, porque será
ela irreversível. Em seu agravo, o autor sustenta a reversibilidade da medida porque a ordem
pode ser a qualquer momento revogada, e o agravo é corretamente improvido pelo Tribunal
ad quem porque a irreversibilidade da medida que importa é a respeito da consequência
prática e não apenas jurídica.
Respondida
A respeito de litisconsórcio e intervenção de terceiros, é correto afirmar que:
A
Em um processo individual, pelo procedimento comum, o autor postula da operadora de seu
plano de saúde o fornecimento de um novo medicamento contra a grave doença que possui.
O juiz, dada a presença dos requisitos para tanto, defere a liminar assegurando o fornecimento
do remédio. Em seguida, quarenta outras pessoas que alegam ser portadores da mesma
doença pedem seu ingresso como litisconsortes facultativos, também postulando a liminar já
deferida anteriormente. O juiz, em vista da voluntariedade do litisconsórcio e da
indisponibilidade do direito à saúde, defere acertadamente o ingresso dos litisconsortes e a
eles estende a liminar.
B
Em uma ação possessória, postulam ingresso como assistentes duas pessoas: a primeira alega
que os proprietários alugam a ele o imóvel objeto da demanda e a segunda, que é
coproprietário. Deferido o ingresso de ambas, a vinculação de cada uma à coisa julgada que
se formará será diversa, apesar da circunstância de ambos terem interesse jurídico no
resultado do processo.
C
Caio adquire um automóvel de luxo em uma agência de carros usados da sua cidade.
Algumas semanas depois, a seguradora Alfa ajuíza ação reivindicatória desse veículo,
sustentando que foi furtado de seu proprietário, por ela segurado, e em vista disso quitou o
prêmio do seguro, sendo a ela, nessa oportunidade, transferida a propriedade do bem.
Julgada procedente a demanda e transitada em julgado a sentença, foi iniciado o seu
cumprimento, tendo Caio então denunciado a lide à agência que lhe vendeu o veículo, com
fundamento em seu direito de regresso, o que foi corretamente deferido pelo juiz,
suspendendo o cumprimento de sentença até ser encerrada a litisdenunciação.
D
Guillermo Valle, argentino naturalizado, é comerciante individual. Em demanda fundada no
Código de Defesa do Consumidor, é ele condenado a indenizar o autor por graves prejuízos.
Iniciada a busca de bens no cumprimento de sentença, nada é encontrado, mas o juiz
constata que empresas de que o devedor é sócio possuem diversos bens, concluindo que
foram criadas apenas para albergar o patrimônio de Guillermo, impedindo que responda por
suas dívidas, o que é suficiente para que esse juiz, de ofício, desconsidere a personalidade
jurídica dessas empresas, determinando a penhora de seus bens com fundamento no artigo
28, § 5º, do CDC, pois a existência da personalidade jurídica é obstáculo à reparação dos
danos causados ao consumidor.
E
Em diversos Estados, começa a haver séria divergência jurisprudencial sobre interpretação de
uma lei federal, tanto em cada Tribunal de Justiça como entre esses Tribunais. Em vários
processos houve interposição de recurso especial, até que o primeiro deles é pautado para
julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. Dada a enorme relevância do precedente
formado por esse julgamento e a repercussão social daí decorrente, o Relator deve admitir
pessoa física ou jurídica especializada e com representatividade adequada para atuar como
amicus curiae , a fim de que exista melhor esclarecimento da realidade e mais efetiva
prestação jurisdicional, mas, como nesse caso não haverá formação de precedente
qualificado, caberá agravo, de instrumento ou interno conforme o caso, que poderá ser
interposto tanto pelo recorrente como pelo recorrido.
Respondida
Considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça
acerca das custas e despesas processuais e dos honorários advocatícios no processo civil, é correto
afirmar que:
A
Nos termos do art. 25 da Lei nº 12.016/2009, incabível a fixação de honorários de sucumbência
em cumprimento de sentença proferida em mandado de segurança individual, a não ser
sobre os efeitos patrimoniais a serem saldados nos mesmos autos, como na hipótese em que
necessária a instauração de procedimento executivo pela ausência de cumprimento
voluntário da obrigação após o trânsito em julgado.
B
No arbitramento de honorários sucumbenciais devidos pelo autor em caso de desistência de
ação de desapropriação por utilidade pública ou de constituição de servidão administrativa,
aplicam-se os percentuais do art. 27, § 1º, do DL nº 3.365/1941, os quais terão como base de
cálculo o valor atualizado da causa. Esses percentuais se aplicam inclusive se o valor da causa
for muito baixo, pois os honorários não podem ser arbitrados por apreciação equitativa do juiz
na hipótese (art. 85, § 8º, do CPC).
C
O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e
individuais indisponíveis, não sendo possível sua condenação ao pagamento de despesas
processuais e honorários de sucumbência, sob pena de maltrato a sua independência e
autonomia. Quando houver necessidade de arcar com encargos financeiros relacionados à
produção de prova pericial requerida pelo Ministério Público, entretanto, o custeio deverá ser
suportado pelo órgão ministerial, mediante dotações orçamentárias próprias (art. 127, § 3º,
CF/88), observado o regime do art. 91 do Código de Processo Civil, ressalvada a possibilidade
de adiantamento pela Fazenda Pública a que estiver vinculado, existindo previsão
orçamentária e convênio devidamente formalizado.
D
Nas demandas em que se pleiteia do Poder Público a satisfação do direito à saúde, os
honorários advocatícios são arbitrados por apreciação equitativa, sem aplicação do art. 85,
§ 8º-A, do CPC, entendimento que não é incompatível com aquele segundo o qual, em
demandas contra operadoras de saúde, o valor da prestação a ser alcançada −
medicamento, serviço ou tecnologia − integra a base de cálculo dos honorários advocatícios,
na medida em que a situação das operadoras de plano de saúde, amparadas pelo Direito
Privado, não é semelhante àquela do Poder Público.
E
A fixação de honorários advocatícios é cabível em incidentes processuais que resultem em
alteração substancial ou extinção da lide, exceto no indeferimento do pedido de
desconsideração da personalidade jurídica, por ausência de previsão legal expressa.
Respondida
A sociedade empresária Sigma foi ré em ação ajuizada por Ricardo e, ao final, condenada a
pagar-lhe determinada quantia. A sentença, que transitou em julgado sem a interposição de recursos,
amparou-se inteiramente em norma então tida como constitucional. Anos depois da formação da
coisa julgada, contudo, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade,
declarou inconstitucional essa norma, que fundamentara a condenação.
O processo tramita, atualmente, na fase de cumprimento de sentença, a requerimento de Ricardo.
Intimada para o pagamento voluntário, a sociedade Sigma, em vez de adimplir a dívida, apresentou
impugnação tempestiva, na qual sustentou a inexigibilidade do título executivo judicial por estar a
condenação fundada em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A alegação
não foi atingida por qualquer modalidade de preclusão.
Diante do caso narrado e considerando o entendimento atual e vinculante do Supremo Tribunal
Federal sobre a matéria, a
A
impugnação não é cabível porque a decisão do Supremo Tribunal Federal sobreveio depois
do trânsito em julgado da sentença exequenda, hipótese que impede a alegação da
inexigibilidade na fase de cumprimento. A inexigibilidade somente pode ser obtida por meio
de ação rescisória, cujo prazo decadencial de dois anos se conta do trânsito em julgado da
própria sentença exequenda e não da decisão do Supremo.
B
declaração de inconstitucionalidade desconstituiu automaticamente a sentença transitada
em julgado, de modo que a inexigibilidade independe de qualquer arguição da executada
e pode ser reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo.
C
sociedade Sigma pode alegar a inexigibilidade do título na própria impugnação ao
cumprimento de sentença, ainda que a decisão do Supremo Tribunal Federal tenha
sobrevindo ao trânsito em julgado, ressalvada a hipótese de preclusão. Subsiste, como via
alternativa, a ação rescisória, com prazo de dois anos contado do trânsito da decisão do
Supremo Tribunal Federal.
D
inexigibilidade não pode ser deduzida na impugnação ao cumprimento de sentença, sendo
a ação rescisória a única via para afastar o título, e deve ser proposta no prazo de dois anos
contados do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal.
E
inexigibilidade não pode ser alegada, pois a constitucionalidade da lei deveria ter sido
discutida no processo de conhecimento, estando a questão acobertada pela coisa julgada
e preclusa a oportunidade de suscitá-la na fase de cumprimento.
Respondida
Pedro, servidor público efetivo do Estado Alfa, obteve, após anos de litígio, sentença que lhe
reconheceu o direito a determinada vantagem remuneratória. Transitada em julgado a condenação,
o Estado Alfa ficou obrigado a duas providências distintas: implantar a vantagem na folha de
pagamento de Pedro, para que passe a incidir mês a mês, e pagar as parcelas dessa mesma
vantagem já vencidas até a data da implantação.
Pedro ingressou com o cumprimento de sentença da obrigação de implantar a vantagem em folha, o
que foi cumprido dois anos depois, e ele passou a recebê-la regularmente. Convencido de que, com
a vantagem já incorporada à sua folha, pouco mais lhe restava a reclamar, Pedro nada providenciou
quanto às parcelas pretéritas.
Somente mais de cinco anos depois do trânsito em julgado é que apresentou novo cumprimento de
sentença, este destinado a recebê-las. Intimado, o Estado Alfa arguiu a prescrição da pretensão de
pagar quantia certa. Pedro, em resposta, sustentou que o prazo prescricional teria permanecido
suspenso enquanto pendente o cumprimento da obrigação de implantar a vantagem em folha, por
derivarem ambas da mesma sentença, e que entre o cumprimento da obrigação de fazer e o novo
cumprimento não decorreram mais de cinco anos.
À luz da disciplina da prescrição contra a Fazenda Pública e do entendimento vinculante do Superior
Tribunal de Justiça firmado em recurso repetitivo, assinale a alternativa correta:
A
O prazo prescricional da pretensão de pagar quantia certa permaneceu suspenso enquanto
pendente o cumprimento da obrigação de implantar a vantagem em folha, pois, derivando
ambas da mesma sentença e somando-se na mesma memória de cálculo, a execução de
uma impede o curso da prescrição da outra. Enquanto não integralmente satisfeita a
sentença, não há inércia do credor apta a deflagrar a fluência do prazo.
B
Por se cuidar de relação de trato sucessivo, a prescrição alcança apenas as parcelas vencidas
antes do quinquênio anterior ao início de cumprimento, permanecendo exigível o restante,
independentemente do tempo decorrido desde o trânsito em julgado da condenação.
C
As obrigações de implantar a vantagem em folha e de pagar as parcelas vencidas têm
suficiente independência, razão por que a pendência da implantação não suspende nem
interrompe o curso da prescrição da pretensão de pagar quantia certa. Como esse prazo, de
cinco anos, correu desde o trânsito em julgado, a pretensão ao pagamento está prescrita.
D
O prazo prescricional da pretensão de pagar quantia certa sequer teve início antes de
concluída a implantação em folha, pois somente com ela o valor das parcelas vencidas se
torna líquido e exigível, de sorte que não há prescrição a reconhecer.
E
O requerimento de cumprimento da obrigação de implantar a vantagem em folha
interrompeu a prescrição de todas as pretensões fundadas na mesma sentença, inclusive a
de pagar quantia certa, por traduzir manifestação inequívoca do credor quanto à satisfação
do título.
Respondida
É correto afirmar que:
A
As citações e intimações de sociedade de economia mista, no processo civil, sempre devem
ser feitas pessoalmente, o que exclui a possibilidade de esses atos serem realizados por meio
eletrônico.
B
Considerando que a citação pode ser realizada em qualquer lugar onde se encontre o réu, o
executado ou o interessado, nos termos do artigo 243 do CPC, é válida a citação efetuada
na Unidade de Tratamento Intensivo em que internado o citando, se estiver em condições de
compreender o ato, iniciando-se o prazo para resposta na data em que obtiver alta médica
desde que não seja caso de evitar o perecimento do direito, hipótese em que o prazo para
resposta se inicia imediatamente.
C
É válida a citação, pelo correio, de pessoa física residente em condomínio com controle de
acesso ainda que recebida por qualquer pessoa capaz que ali receba a correspondência,
desde que assine o recibo sem ressalva.
D
Se o oficial de justiça procurar o réu para efetuar a citação e não encontrá-lo por duas vezes,
em dias e horários distintos, deve voltar no dia seguinte para a citação com hora certa.
E
Em demanda ajuizada perante a 1ª Vara Cível da Capital, foi determinada a citação por
oficial de justiça que, após comparecer ao endereço inicialmente fornecido, descobre que o
réu se mudou para Osasco. O oficial de justiça, então, cumpre o mandado nessa Comarca
vizinha, causando a invalidade do ato por vício de competência.
Respondida
É correto afirmar que:
A
Ao receber a petição inicial, o juiz deve verificar se é admissível e indeferi-la quando, dentre
outras hipóteses, for inepta, a parte for manifestamente ilegítima ou o autor carecer de
interesse processual. Em qualquer destes casos, o juiz deverá, antes do indeferimento, oferecer
oportunidade para correção do vício.
B
Quando o juiz receber petição inicial em que vislumbre ocorrer prescrição ou decadência
deve liminarmente julgar o mérito da demanda.
C
O princípio da adstrição ou da congruência determina o limite da prestação jurisdicional,
circunscrito ao pedido, certo e determinado, que o autor formulou em sua demanda. Não se
admite, pois, formulação de pedido indeterminado e o juiz tampouco pode considerar
pedidos implícitos, sob pena de violação das garantias constitucionais do contraditório e da
ampla defesa.
D
Em que pese o disposto no artigo 319, III, do CPC, a exigir a indicação, na inicial, do ‘fato e
fundamentos jurídicos do pedido’, basta ao autor a exposição dos fatos relevantes e que
deduza pedido juridicamente compatível com eles, dispensada a determinação das normas
em que se fundamenta a demanda.
E
O autor pode formular um pedido alternativo, de modo que o juiz possa conhecer do pedido
posterior se não acolher o anterior.
Respondida
José ajuizou ação declaratória de nulidade de negócio jurídico e pedido de indenização por
lucros cessantes em 22/04/2025 em face de Construtora S/A, com o objetivo de anular compra e venda
de unidade imobiliária que deixou de ser entregue no prazo contratualmente avençado, obrigando-o
a estender por alguns meses contrato de locação residencial para sua moradia e de sua família. No
curso da ação o autor faleceu deixando dois herdeiros, seus filhos, de oito e dez anos de idade, fato
noticiado nos autos por petição protocolizada em 30/09/2025, oportunidade em que foi informada a
existência de inventário judicial. Houve a regular sucessão do de cujus pelo espólio no processo e, após regular trâmite processual, o pedido foi julgado improcedente. O espólio de José interpôs recurso de
apelação, desprovido pelo Tribunal de Justiça, tendo a mesma sorte os embargos de declaração
opostos pelo espólio em seguida. Irresignados, os infantes, devidamente representados por sua
genitora, na qualidade de terceiros prejudicados interpuseram recurso especial dirigido ao Superior
Tribunal de Justiça em que alegaram a ausência de intimação do Ministério Público para intervenção
como fiscal da ordem jurídica e pleitearam a nulidade dos atos processuais desde a data do
falecimento de José. Consideradas as disposições do Código de Processo Civil e sua interpretação
jurisprudencial pelo Superior Tribunal de Justiça, é correto afirmar:
A
Em demandas que envolvem direitos de incapazes a não intervenção do Ministério Público
em primeiro grau de jurisdição não pode ser suprida pela intervenção da Procuradoria de
Justiça perante o órgão colegiado em segundo grau, pois a apresentação de parecer apenas
em segunda instância é insuficiente para a adequada defesa de direitos dessa natureza.
B
O acolhimento da alegação de nulidade processual prescinde da demonstração e da efetiva
verificação de prejuízo concreto aos interesses dos infantes, devidamente representados por
sua genitora, pois houve violação aos artigos 178 e 279 do Código de Processo Civil, que
dispõem que o membro do Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 dias, intervir
como fiscal da ordem jurídica em processo que envolva direito de incapaz, sendo nulo o
processo quando não houver sua intimação para acompanhar o feito.
C
Até mesmo em caso de obrigatoriedade legal de intimação para fins de intervenção
ministerial faz-se necessária a demonstração de prejuízo para o reconhecimento de nulidade,
sendo no caso possível inferi-lo a partir do atraso na entrega da unidade imobiliária, que
obrigou os infantes a participar de custos de alugueres para sua moradia, dada a
impossibilidade financeira de sua genitora. Deve ser acolhida a alegação e anulado o
processo.
D
Os recorrentes deixaram de se comportar de acordo com a boa-fé objetiva, pois a invocação
tardia de vício processual, ainda que absoluto, caracteriza a chamada nulidade de algibeira,
demonstrada pela inércia deliberada da parte que, ciente do vício, deixa de suscitá-lo na
primeira oportunidade em que puder falar nos autos, para então alegá-lo em momento
oportuno e conveniente aos seus interesses. Por isso, não deve ser reconhecida qualquer
nulidade processual.
E
O processo envolve direito de incapazes e tramitou sem o conhecimento do Ministério Público.
Deve ser decretada a nulidade dos atos praticados desde o momento em que deveria ter
sido intimado para acompanhar o feito, dada a obrigatoriedade da sua intervenção. Sua
inobservância configura nulidade absoluta, insanável, e que deve ser declarada a qualquer
tempo, afastando-se eventual alegação de violação aos princípios da lealdade, veracidade,
da cooperação e da boa-fé processual pelos recorrentes, que na condição de incapazes
devem ter seus direitos protegidos de forma prioritária e integral.
Respondida
Com relação ao recurso extraordinário, é INCORRETO afirmar:
A
Se o acórdão recorrido contiver partes autônomas, a admissão parcial pelo presidente do
tribunal a quo, de recurso extraordinário que sobre qualquer delas se manifestar, transladará
ao STF (Supremo Tribunal Federal) a discussão sobre todas elas, independentemente da
interposição de Agravo de Instrumento.
B
A concessão de medida cautelar em Recurso Extraordinário, ainda pendente de
admissibilidade, cabe ao presidente do tribunal de origem.
C
O presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido deverá negar seguimento a recurso
extraordinário que discuta questão constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha
reconhecido a existência de repercussão geral ou que seja interposto contra acórdão que
esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime
de repercussão geral, ainda que a inconstitucionalidade tenha surgido em apreciação de
recurso especial no Superior Tribunal de Justiça.
D
A Súmula 208 do Supremo Tribunal Federal que dispõe “O assistente do Ministério Público não
pode recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de habeas corpus ” foi cancelada
pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.
E
O prazo para interposição de Agravo contra decisão que inadmite Recurso Extraordinário (ARE)
ou Recurso Especial (AResp) é de 15 (quinze) dias corridos, nos termos do art. 1030, V, e seu § 1º
e do art. 1042, ambos do Código de Processo Civil.