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Foram encontradas 50 questões.

2281997 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO

Texto 1

Felicidade clandestina

Menalton Braff

A gente tenta resistir, se esforça, mas a literatura é um grande diálogo em que se tem de enfrentar vozes, muitas vozes, remotas ou recentes, um emaranhado de vozes onde tentamos distinguir alguns dos interlocutores. Os temas nos chegam da vida e dos livros. Capitulamos para acabar refazendo o que está feito. Não é a primeira vez que a realidade me traz de volta a ficção como se fora esta cópia daquela. A Clarice Lispector tomava muito cuidado com as palavras porque ela sabia que as palavras engendram vidas. Mas a Clarice era maga, ela fabricava coisas.

Confesso que a princípio me assustei. Chegou aquele bando em revoada, invadindo tudo, tomando conta do espaço, expulsando-nos dali. Um dos meninos era da cor da terra, trajava uma camiseta parda e usava uma bermudinha sem cor. Me parece que era meio igual aos outros todos.

Escolhi um ponto estratégico, de onde pude observar aquela batalha, que, apesar do susto, me interessava. De onde me abriguei, pude ver os vendedores do estande, o cabelo de alguns literalmente de pé (que agora é moda), o cabelo de todos eletrizado, assim como seus olhos. Tinham ordens para não interferir, a não ser que o prejuízo se tornasse iminente. Durante uns quinze minutos não tiveram sossego.

Uns quinze minutos. Esse foi o tempo necessário para que o bando chegasse, olhasse, visse e saísse. Em seu rastro, sinal de destruição nenhum. Além dos vendedores, consegui focalizar um dos meninos que acabavam de chegar. Foi direto a uma prateleira, não levou mais de quinze segundos para escolher um livro, sentou-se ali mesmo, no chão, pois não dava mais para esperar. Abriu o livro, com aquelas duas mãozinhas quase impossíveis, e se pôs a ler a história, a ver as figuras, não sei. De onde estava, apenas via que seus lábios se moviam e que seus olhos brilhavam. Um brilho tão intenso que tudo em volta começou a flutuar ao ritmo de uma sinfonia ilimitada. O rostinho terroso, então, começou a se transfigurar, assumindo uma expressão gloriosa.

Eu estava com pressa, pois havia uma multidão de umas duas ou três pessoas à espera de um autógrafo alguns estandes adiante. Quem disse que eu conseguia sair do lugar? Naquele instante, o mundo em volta perdeu inteiramente o significado: só aquele menino e seu livro pulsavam em meus sentidos. Ele ria, me parece que falava, não sei se lambia ou cheirava o livro. De repente ele o fechou e olhou para cima, cismarento. Tentei acompanhar seu olhar. Para onde estaria ele viajando agora?

Quando o menino reabriu o livro, percebi em seu rosto sinais de concentração. Voltou à leitura com o cuidado de um soldado estudando o terreno. Acho que havia, finalmente, resolvido algum mistério ou, pelo menos, havia-se deparado com algum, que era preciso desvendar.

Seus colegas dispersaram-se pelos estandes vizinhos, onde outros vendedores puseram cabelos e olhos de pé, mas sem interferir, como lhes fora ensinado. Relanceei o olhar pelo recinto da feira e imaginei o Brasil todo ali dentro e achei que aquilo era uma luz... vá que seja... no fim do túnel.

Olhei de volta para onde estivera o menino e vi apenas um livro aberto com as folhas movendo-se. Se não me engano, ouvi uma voz de criança, que vinha lá de dentro. O menino resolvera penetrar em seu mistério.

Disponível em:<http://www.cartacapital.com.br/cultura/felicidade-clandestina-5044.html>. Acesso em: 7 out. 2014.

Texto 2

O primeiro beijo

Clarice Lispector

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. [...] Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Lispector, Clarice. O primeiro beijo. São Paulo, Ed. Ática, 1996. (Trecho).

Texto 3

Enunciado 2800786-1

Texto 4

Enunciado 2800786-2

A temática comum aos quatro textos indica a concepção de que a leitura

 

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Segundo a LDB/1996, são regras comuns à organização do ensino fundamental e do ensino médio:
 

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A educação básica, de acordo com a LDB/1996, é composta dos seguintes segmentos:
 

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2281143 Ano: 2014
Disciplina: História
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Leia o trecho a seguir.
Por mais que lutemos arduamente para evitar os preconceitos associados a cor, credo, classe ou sexo, não podemos evitar olhar o passado de um ponto de vista particular. O relativismo cultural obviamente se aplica, tanto à própria escrita da história quanto a seus chamados objetos. Nossas mentes não refletem diretamente a realidade.
BURKE, P. (Org.) A escrita da história. São Paulo: Unesp, 1992. p. 15.
Na apresentação do livro publicado no Brasil no início da década de 1990, Peter Burke elaborou um contraste entre a chamada história nova e a história antiga. Ao discutir a ideia de objetividade da história, Burke destaca que, na nova historiografia, a escrita da história traduz a
 

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2280972 Ano: 2014
Disciplina: História
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Leia o seguinte trecho.
Orientalismo pode ser analisado como a instituição autorizada a lidar com o Oriente, fazendo e corroborando afirmações a seu respeito, descrevendo-o, ensinando-o, governando-o.
SAID, Edward, Orientalismo. Tradução de Rosaura Einchenberg. São Paulo: Companha das Letras, 2007. p. 29. (Adaptado).
O termo “orientalismo” elaborado por Edward Said designa determinado conhecimento produzido pelo Ocidente sobre o Oriente a partir da segunda metade do século XIX. Tal termo se refere a
 

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2280830 Ano: 2014
Disciplina: História
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Leia o trecho a seguir.
Eu, Berterio, coloquei a corda no pescoço e me entreguei sob o poder de Alariado e de sua esposa Ermengarda para que desde este dia façais de mim e de minha descendência o que quiserdes, os vossos herdeiros o mesmo que vós, podendo guardar-me, vender-me, dar-me a outros ou manumitir-me, e se eu quiser subtrair-me a vosso serviço podeis deter-me vós mesmo ou vossos enviados.
BERNARD, A.; BRUEL, A. (Ed.) Recueil des chartes de l’abbaye de Cluny. Apud: PEDRERO SÁNCHEZ, M. G. História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Unesp, 2000. p. 105. (Adaptado).
O documento escrito no século X consiste em uma encomendação típica do período medieval. Da análise do documento, conclui-se que a servidão tinha um caráter
 

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A avaliação educacional em larga escala, no âmbito das redes de ensino, tornou-se algo recorrente nas políticas educacionais conduzidas pelo governo federal, governos estaduais e municipais. Isto implica que
 

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2280405 Ano: 2014
Disciplina: História
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Leia o trecho a seguir.
O grande desafio da nossa história estava ali: seria forçar-se o deslocamento do eixo de desenvolvimento nacional. Assim, o brasileiro poderia tomar posse do seu imenso território. E a mudança da capital seria o veículo. O instrumento, o fator que iria desencadear novo ciclo bandeirante.
KUBITSCHEK, Juscelino. Por que construí Brasília. Rio de Janeiro: Bloch, 1973, p. 6-9. Apud: GARCIA, L. F. Goyaz: uma província do sertão. Goiânia: Cânone/PUC-GO, 2010. p. 172.
O texto do presidente Juscelino Kubitschek revela uma visão comum à época, segundo a qual a construção de Brasília representaria
 

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2280384 Ano: 2014
Disciplina: História
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Analise a imagem a seguir.
Enunciado 2708432-1
A partir das revoluções burguesas dos séculos XVIII e XIX, a concepção de república passou a ser representada por meio de alegorias femininas, como na imagem publicada na Revista Illustrada, em comemoração à Proclamação da República no Brasil. Tal representação associa um discurso estético com determinada concepção de poder que
 

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O resultado das políticas educacionais implementadas a partir da década de 1990, no Brasil, evidenciam que a educação brasileira
 

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